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Estrutura do discurso de posse de Trump é mais simples que de seus antecessores

SOAP Apresentações Profissionais
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Analisamos o primeiro, o segundo e o terceiro ato da fala de Trump.

 

Na última sexta-feira (20), Donald John Trump tomou posse como o 45º presidente dos Estados Unidos. E nós, da SOAP, não podíamos deixar de analisar e selecionar as partes mais relevantes da comunicação do político durante o discurso de posse. Afinal, presidentes também cometem gafes e seus “speeches” não são imunes a análises.

 

“Acompanhada por uma gesticulação bruta, a estrutura do roteiro do discurso de posse de Trump é simples. Marcada por frases curtas, de construção fácil. É diferente dos discursos de Martin Luther King (confira aqui a análise de I have a Dream) e John Kennedy, excelentes oradores, que apresentavam estruturas complexas”, explica Fábio Caldeira, roteirista e instrutor de um de nossos treinamentos de comunicação. “O roteiro dos discursos de Obama também era simples, mas suas frases eram longas”.

 

Marcado por inúmeras menções a Deus, ao patriotismo como ferramenta para uma nação unida e ao nacionalismo como melhor opção para o crescimento do país, o discurso de posse do novo presidente reitera os temas que marcaram sua campanha eleitoral. Analisaremos o primeiro, o segundo e o terceiro ato de sua fala separadamente.

 

No primeiro ato, Trump agradeceu a antigos presidentes americanos. Mencionou, inclusive, Barack Obama e Michelle Obama, seu antecessor e a antiga primeira dama. Além disso, manteve a tradição política do discurso americano de indicar o público-alvo logo no início, ao se dirigir aos interlocutores como “Nós, cidadãos americanos”.

 

Outra questão bastante mencionada durante sua fala foi a concentração do poder nas mãos de Washington D.C. “A vitória dos políticos não foi a sua” e “O triunfo deles não foi o seu” são afirmações que pretendem mostrar que as administrações anteriores não foram para o bem-estar do povo, mas, sim, dos políticos. Trump, inclusive, se diferenciou dessa classe política afirmando não ser um político, mas um homem “do povo”. Algo que o próprio Obama já dizia.

 

Problemas e assuntos relevantes do país – como questões étnicas, econômicas, direitos das minorias e papel do Estado – marcaram o segundo ato do discurso. E declarações como “Isso acabou hoje” e “Vou lutar por você cada vez que eu respirar e jamais os desapontarei” mostram que seu governo se dedicará a acabar com as dificuldades. “Trump poderia falar, por exemplo, que negociará para extinguir esses problemas. Mas não, diz que precisam acabar, unilateralmente”, afirma Fábio.

 

“Compre produtos americanos e contrate americanos” é uma sentença que sintetiza todo o nacionalismo presente no discurso de Trump. Porém, em detrimento a todo esse “fechamento” do país ao exterior, o presidente afirmou que erradicará o terrorismo da face da Terra “Isso é uma contradição, já que antes ele havia afirmado que tudo era dentro do país e pelo país”, diz Fábio.

 

No terceiro ato, o presidente afirmou que apenas um patriotismo baseado nas leis divinas pode acabar com as segregações do país. “Não importa sua cor, todos possuem o sangue do patriotismo” e “Nossa causa é justa porque Deus nos protege” são algumas de suas citações. “Quando se apela para a religião, o orador consegue atingir mais pessoas. Por isso, embasar-se nas palavras bíblicas é uma prática comum – utilizada, inclusive, por ícones como Martin Luther King e Barack Obama”, afirma Fábio.

 

Para encerrar, dirigiu-se novamente ao público-alvo, os cidadãos norte-americanos, com frases como “Juntos faremos os Estados Unidos forte novamente”, “Vamos tornar os Estados Unidos rico outra vez” e “Vamos tornar os Estados Unidos orgulhoso outra vez”.

 

Na outra semana publicaremos a análise do discurso de despedida de Obama, aguarde!

 

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