Linguagem corporal: o que é e como usá-la para mandar bem ao falar em público

SOAP Apresentações Profissionais - 26/09/2018

A data da palestra que você apresentará como representante de sua empresa está próxima. Os slides estão feitos. O discurso também já está memorizado. Ter todo esse preparo vai garantir o sucesso da apresentação, certo? Não. Além de um discurso com conteúdo e slides bonitos, a linguagem corporal tem papel fundamental para cativar a atenção da plateia e dar credibilidade ao que você diz.

Ray Birdwhistell foi um antropólogo americano pioneiro nos estudos da linguagem corporal. Ele afirmou na década de 80 que “apenas 35% do significado social de qualquer interação corresponde às palavras pronunciadas, pois o homem é um ser multissensorial que, de vez em quando, verbaliza”. Os outros 65% acontecem por meio de gestos, olhares e demais recursos silenciosos.

Portanto, durante conferências para clientes ou reuniões corporativas, não basta você saber exatamente o que vai dizer e ter os números da empresa na cabeça. Segundo a Psicologia, a linguagem corporal interfere significativamente na aprovação do público. Ela pode ajudar ou atrapalhar na transmissão de credibilidade e profissionalismo. Saiba mais sobre esse tema a seguir!

O que é linguagem corporal?

Linguagem corporal é tudo o que seu corpo usa para se comunicar, como complemento ou não à fala. Ela envolve os trejeitos, expressões, gestos, tom de voz e assim por diante. Cruzar os braços durante uma discussão ou fechar o semblante diante de uma pergunta invasiva são alguns exemplos.

Perceba que, nesses casos citados, não há uma comunicação verbal. Porém, a sua audiência pode compreender as suas intenções ou pensamentos – caso saiba interpretar tais manifestações de linguagem corporal.

Nesse sentido, é importante saber avaliar a linguagem corporal de outros profissionais como forma de aprimorar argumentos e mudar os direcionamentos de um diálogo. Nas vendas, por exemplo, é uma excelente maneira de entender o nível de interesse de um potencial cliente.

Vale reforçar que a linguagem corporal se apresenta de forma consciente ou não. Você pode claramente se posicionar com seu corpo ou, em alguns casos, ele é capaz de denunciar seus pensamentos. Também são sutis ou bastante evidentes, a depender do cenário.

A linguagem corporal é uma ferramenta para sua postura e imagem profissional. Por isso, conhecer como ela se expressa, o que evitar e como usá-la a seu favor é essencial para quem deseja se apresentar com alta performance em diferentes ocasiões.

Diferenças entre linguagem corporal e expressão corporal

Muitos se perguntam o que é expressão corporal e qual a diferença para a linguagem corporal. Pense que a primeira é apenas uma parte da segunda, que representa algo muito mais amplo no contexto da comunicação.

Isso quer dizer que as expressões são particularidades da linguagem corporal, que podem se manifestar de outras formas. De modo geral, é por meio dessas expressões que nosso corpo se manifesta. Por isso, são termos considerados sinônimos em diversas publicações a respeito do tema.

Quais são os tipos de expressão corporal?

De uma maneira geral, a expressão corporal em momentos decisivos pode ser dividida em três pilares: postura, gesticulação e expressão facial. Combinados, esses componentes contribuem muito para que você alcance melhores resultados em suas apresentações – sejam elas palestras para grandes públicos ou reuniões com seu chefe e colegas de trabalho.

Postura

De acordo com a especialista Ana Carolina Martins, responsável por alguns dos nossos principais cursos de comunicação, o SOAP Apresentador, as primeiras partes do corpo às quais devemos atentar são as nossas pernas.

É absolutamente normal ficar nervoso quando se está sob os holofotes, e uma das reações mais comuns é movimentar-se excessivamente pelo espaço, andando de um lado para o outro ou fazendo movimentos pendulares com o tronco.

“Quando iniciar a apresentação, não fique se mexendo de maneira inconsciente, isso demonstra estresse e dificulta que a audiência acompanhe seus movimentos”, afirma.

Quando você colocar os pés no palco, adote uma postura neutra: pernas paralelas, ombros paralelos ao corpo e cabeça paralela ao chão, tomando cuidado para não ficar assimétrico (por exemplo, quando se apoia em uma das pernas, o que dará certo ar de desleixo à postura).

Porém, conforme a apresentação avança, você não só pode, como deve se movimentar. Mas, claro, de maneira consciente: quando quiser se conectar com as pessoas do lado direito, caminhe até lá e permaneça um tempo parado. Alguns minutos. O mesmo vale para quando desejar dedicar maior atenção ao centro ou ao lado esquerdo do público.

Outra situação bastante comum é o apresentador adotar uma postura encolhida, curvando levemente as costas, mantendo a cabeça baixa e as mãos sobre a barriga. E, curiosamente, há uma explicação biológica para isso: quando nos sentimos ameaçados, tentamos, involuntariamente, proteger a região abdominal – onde estão nossos órgãos vitais.

Como essa região fica muito exposta nos palcos, o instinto protetor do palestrante pode falar mais alto. “Isso pode passar uma imagem de insegurança e desconforto à plateia. Por isso, para demonstrar autoconfiança, é recomendado manter ombros e cabeça alinhados ao corpo e ao chão, respectivamente”, sugere Ana Carolina.

Gesticulação

Nós somos seres que gesticulam. Desde pequenos, ao mesmo tempo que aprendemos a falar, somos estimulados a fazer gestos com as mãos. David McNeill, psicólogo americano especialista na relação da linguagem com os pensamentos e os gestos, diz que ações corporais transmitem um sentimento ou uma ideia, e ocorrem simultaneamente ao gesto vocal.

Paul Ekman, outro psicólogo americano, pioneiro no estudo das emoções e expressões faciais, defende que as gesticulações são manipuladas pela palavra e pelas ideias, sendo reproduções do pensamento.

Os gestos servem para ilustrar ou enfatizar o que está sendo dito, e são muito bem-vindos em apresentações. “Eles quebram a monotonia e ajudam a dar dinamismo para a fala do apresentador. Além disso, por voz e gesto estarem enfatizando as mesmas coisas, contribuem para dar veracidade à mensagem”, explica Ana Carolina.

Coloque-se na posição do ouvinte: você não acharia entediante assistir a uma palestra de duas horas sem movimentação? Apostamos que sim. Então, não tenha medo de gesticular.

No entanto, assim como existem as incongruências da postura, há também aquelas relacionadas à movimentação das mãos. São os chamados movimentos manipulatórios, como o vício de mexer no cabelo ou coçar o nariz, que apenas externam a tensão do palestrante. São gestos que não reforçam nem ilustram a mensagem, apenas demonstram o nervosismo do apresentador, passando uma impressão de pouco profissionalismo e preparo aos ouvintes.

“Devemos lembrar que gestos são diferentes de movimentos. Estes são repetitivos e sem sentido no contexto do discurso. Já os gestos são naturais e está ligado à sua fala”, afirma Ana Carolina.

Expressão Facial

A expressão facial durante a apresentação é um dos aspectos mais importantes na transmissão de emoção para a audiência. Suas feições devem combinar com o discurso. Você não pode falar que sua equipe não atingiu a meta com um sorriso de orelha a orelha. Nem falar algo feliz com cara de choro.

Você deve demonstrar em sua fala a emoção que está vivenciando. A expressão facial tem papel fundamental na narrativa de uma história e, assim como posturas e gestos, é indispensável para dar credibilidade ao que está sendo dito.

É essencial ter uma expressão facial convidativa. Se você estiver com uma cara séria, as chances de gerar empatia com a audiência são mínimas” explica nossa especialista.

Portanto, coloque em sua mente que deve mostrar às pessoas que está alegre por estar ali. Assim, elas se sentem mais dispostas a te ouvir, e é mais fácil gerar conexão emocional.

Como usar a linguagem corporal a seu favor?

mulher fazendo uma apresentação para seu time, usando a linguagem corporal

Desvendando os segredos da linguagem corporal é um livro que já vendeu mais de 25 mil cópias e tem muito a ensinar sobre o tema. É um convite a ter relações saudáveis com outras pessoas a partir desse conhecimento. Da obra, podemos tirar diversas lições a respeito de como nosso corpo se expressa.

Para potencializar o desenvolvimento pessoal, vamos falar sobre como a linguagem corporal pode ser usada a nosso favor na carreira. Vimos algumas dicas no tópico anterior, mas vale o complemento!

Preste atenção à sua volta

Pense no seguinte cenário: você quer fazer uma apresentação eficiente para um público com o qual nunca teve contato antes. Em vez de preparar diálogos genéricos ou que já funcionaram em outras ocasiões, estude o cenário previamente. Saiba o que desperta interesse dessa audiência, ao que ela reage bem e assim por diante.

Durante a apresentação, vale medir o nível de interesse das pessoas na plateia e ter jogo de cintura para captar essa atenção. Se muitos estão bocejando ou desviando o olhar, antecipe-se aos primeiros sinais e tenha truques preparados para que seu discurso se torne atrativo.

Outro cenário pode acontecer com você involuntariamente. Ao notar certo incômodo da audiência, verifique se esse sentimento não está sendo causado pela sua linguagem corporal – às vezes, na sede por ter um argumento aceito ou na defesa de alguma tese, é comum gesticular demais, de maneira agitada.

Conheça a si mesmo

Por falar nessa prática involuntária da linguagem corporal, vale reforçar que as pessoas com autoconhecimento em estágio avançado conseguem controlar melhor essa questão. Elas compreendem as situações em que se exaltam, em que ficam entediadas, se animam demais ou se tornam agressivas, entre outros. Logo, podem trabalhar as emoções para que o corpo expresse menos possível.

Do contrário, elas também sabem o momento ideal para enviar sinais para outras pessoas por meio da linguagem corporal. Em outro cenário, podem evitar gestos, posturas e expressões dúbias, que a audiência não conseguiria interpretar.

Dialogue com os olhos

Vimos que a expressão facial é uma das formas de se comunicar. Os olhos são os elementos mais emblemáticos dessa região – e podem ser usados a seu favor em diferentes situações. Eles podem demonstrar interesse, rivalidade, tédio, entre tantos outros sentimentos.

Tenha em mente que o olho no olho é capaz de criar verdadeiras conexões entre indivíduos. Em uma apresentação, por exemplo, direcionar o olhar de pessoa em pessoa pode ser a chave para conquistar a atenção da audiência. Mas faça-o moderadamente, para não causar desconforto.

Treine os movimentos corporais

Uma comunicação não violenta é grande aliada em qualquer situação, profissional ou não. Muito disso depende do controle que você tem sobre seus gestos e da postura adotada durante diálogos ou discussões. Alguns deles transmitem sinais de agressividade e intolerância, devendo ser evitados.

Um caminho para esse domínio é o treinamento. Pense que isso envolve os movimentos dos braços, os ombros, a mandíbula e assim por diante. Tente fazer com que esses gestos sejam complementos da sua fala e não se comuniquem por si só. Encontre o equilíbrio e pratique sempre que possível.

Tenha atenção à sua fala

A forma direta de se comunicar também deve ser alvo de sua atenção. Ao longo de sua jornada, entre reuniões e apresentações, você provavelmente estudou maneiras eficientes de abordagem, de storytelling para engajar, entre tantas outras estratégias. Mas vale também ficar atento ao tom de voz.

Assim como ombros tensos e um olhar fixo de desaprovação, o tom de voz pode denunciar os seus sentimentos diante da situação. Ao correr com as palavras, atropelando-se, por exemplo, demonstra certo nervosismo diante da sua audiência e, com isso, pode perder parte da credibilidade com o que fala.

Um timbre muito elevado pode soar como agressivo, enquanto o baixo demais tem chances de não ser nem ao menos cogitado.

A linguagem corporal deve ser uma das prioridades para quem deseja ter sucesso em relacionamentos interpessoais e na carreira. Seja em uma apresentação profissional, seja em momentos-chave dessa jornada rumo ao reconhecimento no mercado, invista nesta ideia para dominar situações e se posicionar bem. Ler as expressões de uma audiência é um grande trunfo.

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