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Treinamento agora? Só se for online. Veja como adaptar o seu treinamento presencial para a realização digital

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Treinamento agora? Só se for online. Veja como adaptar o seu treinamento presencial para a realização digital

Até outro dia a gente estava falando: “ah, aquela reunião poderia ser um e-mail”, “eu produzo melhor no home office”, “aqui, no escritório, toda hora sou interrompido”…

 

Bem, o dia de provar que isso é verdade chegou.

 

Querendo ou não, muitos estão trabalhando em casa há algumas semanas.

 

E esse período de contato à distância — e agenda não tão lotada — é a oportunidade inédita para profissionais e empresas focarem em qualificação.

 

A questão agora é: como palestrantes, instrutores, facilitadores de ensino e o pessoal das áreas de Treinamento e RH vão criar ou migrar cursos, palestras, workshops e demais treinamentos para o formato à distância?

 

Como garantir que os programas de capacitação da sua empresa sejam eficientes também em ambientes digitais?

 

Neste primeiro post, vamos abordar questões bem práticas como, por exemplo:

 

  • como adaptar o tempo de um curso presencial para um curso online;
  • como interagir com a audiência à distância;
  • qual o papel do moderador em uma aula online; e outros.

 

Vamos visitar também alguns conceitos importantes. Ao final, você vai entender os principais desafios que essa migração exige — alguns deles não tão simples.

 

Acredite, não é só ligar a câmera e botar alguém para falar.

 

Pronto para engajar seus colegas — que devem agora estar vestindo o pijama Batman?

 

Vamos lá!

 

O QUE EU QUERO DA VIDA?

 

A primeira coisa que você precisa fazer é definir qual a medida para avaliar se aquele curso, palestra, workshop etc., que sua empresa está investindo será bem ou mal sucedido.

 

Portanto, o melhor a fazer é começar pelo fim.

 

Qual o objetivo do seu conteúdo?

 

Como o propósito desse conteúdo é ensinar, você vai saber se tudo deu certo respondendo positivamente a estas duas questões:

 

  • ao final, os participantes passaram a fazer melhor a atividade que foi tema da capacitação?

 

Se a resposta for sim, a questão seguinte é:

 

  • fazendo melhor essa atividade, eles agora satisfazem as necessidades da empresa?

 

Respondendo essas duas perguntas saberá se sua capacitação está entregando o que precisa entregar ou se será preciso aperfeiçoá-la.

 

Mais do que isso, com essas perguntas você saberá exatamente qual habilidade e/ou conhecimento deve ser o foco da capacitação e, principalmente, qual conteúdo deve estar presente para garantir que o público, de fato, faça satisfatoriamente o que se espera dele.

 

Por exemplo:

 

A área Comercial da sua empresa vem recebendo reclamações por parte de clientes que a comunicação das datas de entrega de alguns produtos está confusa e isso tem gerado problemas entre a transportadora e esses clientes.

 

Você já sabe qual é o problema, mas quais são os conteúdos necessários para que os profissionais do Comercial, como o Bira, passem a comunicar as datas de entrega desses produtos de modo claro, evitando reclamações?

 

Suponhamos que o problema está ocorrendo porque foi identificado que o Bira e seus colegas ainda não sabem usar direito o novo sistema que integra estoque e disponibilidade de entrega das transportadoras.

 

Logo, está na hora de produzir conteúdo ensinando para eles como usar corretamente o bendito sistema novo.

 

Como fazer isso ensinando à distância?

 

Vem com a gente!

 

ADAPTE-SE À AUDIÊNCIA

 

A verdade é que à distância quase tudo é diferente.

 

Propostas educacionais transmitidas a partir de lugares diferentes e, principalmente, a partir de momentos diferentes no tempo, precisam lidar com a realidade de que audiência está no controle da situação.

 

Ela pode parar de prestar atenção em uma aula ao vivo para tomar água ou, no caso de um curso já produzido, ela pode pausar a aula a hora que quiser.

 

Sem falar que o seu conteúdo está concorrendo pela atenção dela com pesos pesados, como celular, televisão, família — e o fato de que não tem nenhum instrutor dando umas olhadelas intimidadoras de vez em quando.

 

Essa situação vai exigir de você estratégia.

 

Para aumentar o interesse do público, procure se informar o que ele sabe e o que ela não sabe a respeito daquele assunto, é o que especialistas chamam de adaptive learning.

 

Se o seu conteúdo tem quase tudo o que ele sabe ou o contrário, isso provavelmente vai gerar desinteresse.

 

Foque naquilo que complementa o conhecimento prévio da audiência.

 

Por exemplo:

 

No caso da equipe comercial que não sabe usar muito bem o sistema da empresa, uma pesquisa prévia pode revelar que todo mundo sabe acessar a agenda de entrega.

 

No entanto, essa mesma pesquisa revela que uma boa parte dos profissionais, inclusive o Bira, na hora de escolher a transportadora, não considera o local que a transportadora está em relação ao endereço de entrega. Ele foca apenas na disponibilidade de agenda — e o que é uma agenda de compromissos diante do trânsito, né?

 

Ao final, você pode concluir que é o caso de mostrar para o Bira e seus colegas como usar as ferramentas de geolocalização e navegação do sistema. Isso vai dar mais insumos a eles na hora de escolher a transportadora.

 

Uma pesquisa prévia vai evitar que o treinamento gaste o tempo de todo mundo com uma explicação que, para chegar ao ponto que realmente importa, precise começar com um: “Agora, vamos aprender como se logar no sistema.” O Bira do Comercial não vai se engajar.

 

Seu conteúdo precisa ser o mais relevante possível a todo tempo.

 

RELEVÂNCIA E PROTAGONISMO

 

Para isso, você precisa conectar o conteúdo ao interesse do participante, tanto aquele interesse mais imediato (diminuir o número de reclamações daquele vendedor) como aquele que, às vezes, nem ele se dá conta (menos reclamações, ao final do ano, pode significar o desejado bônus ou aquela promoção).

 

Se ele não entender que aquilo é relevante para seus interesses, imediatos ou não, isso deve afetar negativamente sua percepção sobre o treinamento.

 

Além disso,  o adulto no instante em que está aprendendo à distância tende a se engajar mais em processos que ele sinta estar no controle da situação. Ele quer ser o protagonista.

 

Ao se interessar por um determinado conteúdo, o público quer extrair, no menor tempo possível, as repostas que vão satisfazer seu modo de pensar.

 

Daí necessidades que, em cursos presenciais já estão presentes, como perguntar e comentar a qualquer momento, sejam ainda mais valorizadas nas versões à distância.

 

Pode acreditar, se o adulto pudesse fazer a pessoa que está transmitindo o conteúdo ou próprio material didático responder apenas as perguntas dele, ele faria isso.

 

Voltando ao nosso exemplo anterior, se o Bira da equipe de vendas pudesse perguntar apenas como ele faz para garantir que nunca mais o cliente dele de Araçatuba (SP) vai receber as compras atrasadas, ele faria exatamente essa pergunta.

 

O desafio é este: como atender a necessidade específica do Bira e dos seus colegas, ao mesmo tempo, e de forma engajadora.

 

É possível! Veja!

 

TEMPO É RELATIVO

 

Se você aplicou ao seu treinamento todas as mudanças e conceitos que exploramos até agora, isso significa que você certamente já reduziu em muito o tempo que a sua audiência vai precisar dedicar-se para aprender sobre o assunto.

 

Mas existem ainda alguns critérios adicionais que podem te ajudar a compactar ainda mais essa experiência.

 

Tente dividir seu conteúdo em pequenas partes sobretudo quando este não for transmitido ao vivo. A ideia é que a soma de tudo não passe de duas horas.

 

Caso seu conteúdo precise de mais de duas horas para ensinar seu público, considere dividi-lo, em vez de uma aula, talvez duas ou três.

 

Cada aula dessa experiência de ensino precisa iniciar e encerrar entregando o prometido ao participante.

 

Lembre-se, ele é um adulto e quer se sentir no controle da situação. Portanto, explique que, na primeira parte do curso, ela vai aprender a fazer tal parte do processo e, nas demais, o que está faltando.

 

O Bira do Comercial precisa saber que, na primeira aula, ele vai aprender quais são as variáveis que precisam ser consideradas na hora de escolher a transportadora (trânsito, distância, custo, modal etc.) e como acessá-las no sistema.

 

Já na segunda aula, ele vai simular no sistema casos reais de entrega para os endereços dos principais clientes.

 

TRABALHO EM EQUIPE

 

Por outro lado, se o seu foco está em uma experiência de aprendizagem ao vivo, o melhor cenário para otimizar tempo, entre outras coisas, é contar com a participação de um moderador.

 

O moderador é super útil para colher ao longo da aula as impressões (perguntas, comentários, sugestões etc.) dos alunos.

 

A imensa maioria das plataformas de ensino à distância ainda não consegue oferecer ao instrutor uma perspectiva confiável sobre como estão as reações dos alunos durante a aula.

 

O moderador entra aí. Ele intermedia os interesses de alunos e instrutor.

 

Ele pode verificar, por exemplo, que determinada pergunta está se repetindo demais. Isso talvez indique que valha a pena alertar o instrutor que o ponto anterior precise ser mais bem explicado.

 

O moderador, além disso, pode ainda estabelecer canais diretos de comunicação com o aluno e o instrutor para que ambos possam interagir livremente.

 

Por exemplo, a depender da plataforma, ele pode abrir o canal de áudio e vídeo do Bira do Comercial e permitir que ele interaja com o instrutor sem intermediação. Concluída a interação, ele fecha novamente o canal e a aula segue.

 

VARIE, AS PESSOAS SÃO DIFERENTES

 

Por fim, não perca de vista que, ao optar pelo ensino à distância, você está abrindo mão de uma série de recursos que tendem a gerar interesse na audiência no formato presencial.

 

É preciso compensar de alguma maneira essas perdas.

 

O que você viu até agora certamente será útil nesse sentido, no entanto, há um aspecto que muitas vezes passa batido por quem trabalha com educação à distância: os perfis de aprendizagem.

 

As pessoas tendem a preferir alguns meios na hora de aprender em detrimento de outros.

 

Por exemplo, há quem seja bastante visual. Com essas pessoas, gráficos, fluxogramas, tabelas, ilustrações e vídeos, normalmente, não só geram mais interesse, como também aumentam as chances que aquele conteúdo seja absorvido.

 

Por outro lado, os auditivos vão ter mais dificuldades de aprender se tiverem que lidar com um instrutor que não tem uma boa dicção ou se expressa de modo confuso.

 

Já os sinestésicos, como o Bira, precisam receber a apostila impressa na mão, fazer exercícios, manusear fotos e outros materiais para ter uma experiência de aprendizado mais enriquecedora.

 

A questão é que não é tão simples identificar esses perfis de aprendizagem, mesmo nós não sabemos bem ao certo qual o nosso perfil. Isso coloca você na difícil situação de ter que escolher.

 

Escolha tudo!

 

A verdade é que todos temos a capacidade de aprender a partir de fontes de transmissão de informação diferentes (áudio, vídeo e tato), embora, repita-se, em alguns determinados meios funcionem melhor.

 

Procure produzir os materiais que vão compor a sua experiência de ensino a partir de diferentes fontes de transmissão de informação e, principalmente, alterne ao longo da aula o uso desses materiais.

 

Comece com a imagem e o áudio do apresentador, emende gráficos e tabelas, volte para o apresentador, siga com o exercício, apresente um vídeo e assim por diante. Varie! O Bira agradece.

 

Agora você já tem os principais critérios para criar ou iniciar a migração dos seus treinamentos presenciais para o online.

 

Nos próximos posts, vamos contar para você sobre os critérios para escolher plataformas digitais de ensino e como as técnicas de comunicação influenciam (positivamente) a interação e o engajamento das pessoas em reuniões à distância.

 

Estamos vivendo tempos desafiadores e esta é a oportunidade perfeita para explorar todo o potencial que a comunicação à distância tem a oferecer.

 

E o que você acha sobre isso? Coloca aqui no comentários!