BLOG MOMENTOS DECISIVOS


TED dá dicas de comunicação interpessoal para um debate produtivo

SOAP Apresentações Profissionais
2.576 views
TED da dicas de comunicacao interpessoal para um debate produtivo

Em tempos de ideias polarizadas, está difícil imaginar um debate que não termine em briga – especialmente na internet, onde a distância e o anonimato “anabolizam” as ações e reações. Influenciar alguém – principalmente se as opiniões são muito diferentes – é um processo difícil. Mas é possível discutir de forma produtiva, como mostra Julia Dhar, especialista em debate público, em sua apresentação no TED Talks.

 

 

Segundo Julia, o fato de as discussões estarem cada vez mais acaloradas, muitas vezes com as partes literalmente gritando umas com as outras, faz com que muitos prefiram não expor seus pontos de vista. Mas trocar ideias, confrontar argumentos e sugerir soluções pode gerar aprendizados para todos os envolvidos.

 

É possível debater sem brigar. E (acredite!) há uma fórmula para isso.

 

Encontre um ponto em comum

 

Quando ideias opostas são colocadas em debate, a conversa emperra se cada uma das partes focar apenas no seu ponto de vista – e ambas perderão a oportunidade de somar, ampliar sua visão e aprender. Sem disposição e curiosidade para escutar o outro e compreendê-lo, dificilmente haverá uma comunicação eficiente.

 

O segredo para fazer um debate fluir e chegar a um desfecho que satisfaça todas as partes é encontrar pontos em comum, ou seja, buscar ideias e argumentos com os quais nos identificamos. Por exemplo, numa discussão sobre qual o melhor sistema de ensino, é provável que todos à mesa concordem que o direito à educação é universal. Já num debate sobre como deve ser a ação da polícia, há um consenso sobre a importância de as comunidades serem mais seguras.

 

“Ao explorar este espaço comum e neutro, um lugar muito além daquilo que consideramos certo ou errado, e congruente com nossas necessidades e valores universais, nos conectamos aos nossos interlocutores”, diz Sérgio Azem, instrutor da SOAP.

 

As necessidades universais do ser humano

 

A divergência é sadia, gera crescimento e é necessária para ampliarmos a consciência sobre as questões trazidas ao debate. Para encontrar os interesses em comum, Sérgio recomenda que os debatedores estejam atentos, escutem e indaguem empaticamente o seu interlocutor para compreender suas necessidades, além dos sentimentos expressos pela linguagem verbal e não-verbal. Assim, é possível ter mais clareza do ponto de vista do outro e o diálogo se tornará mais leve e virtuoso.

 

Um ótimo recurso para praticar essa conexão em busca do consenso é a Pirâmide de Necessidades Universais do Ser Humano, de Maslow. O conceito, desenvolvido pelo psicólogo americano Abraham Maslow, parte do princípio de que todo ser humano possui cinco níveis de necessidades básicas e, portanto, universais:

 

  1. Sobrevivência (alimentação, reprodução, abrigo, água, ar)
  2. Segurança (proteção, regras, certezas ao invés de dúvidas, orientação, estabilidade)
  3. Pertencimento (social, família, amigos, acolhimento, equipe)
  4. Autoestima (reconhecimento, aceitação, respeito dos outros e aos outros, conquista)
  5. Autorrealização (autonomia, liberdade, propósito, significado, valores, ética, moral)

 

O desejo e a busca para satisfazer essas necessidades é um processo dinâmico e surge de forma gradual, respeitando essa hierarquia. Uma pessoa só buscará segurança, por exemplo, se suas necessidades fisiológicas estiverem sendo atendidas. E só buscará evoluir nos seus relacionamentos se sentir-se segura. Em última instância, a nossa autorrealização só será possível quando nossas necessidades abaixo do topo da pirâmide estiverem alinhadas.

 

Durante um debate, dialogar consciente desse princípio já é um poderoso recurso para encontrar pontos em comum e de conexão. As necessidades são universais. O que mudam são os sentimentos e a estratégia que cada um de nós adota para atendê-las.

 

Para chegar a um consenso, Sergio sugere que você concentre toda sua atenção naquilo que é comum entre as duas partes, ainda que este algo em comum represente 1% de todo o conteúdo. Certamente vocês chegarão a uma conclusão que atenderá todos e o propósito e o objetivo do debate se concretizarão!

 

O outro lado

 

Jogar no campo do outro num debate – diferentemente do futebol – é uma vantagem, pois as ideias são expostas num universo que ele domina, tornando muito mais fácil a recepção da sua mensagem e a compreensão do seu argumento.

 

Discordar de maneira produtiva é difícil, porque costumamos nos apegar às nossas ideias, fruto da forma como percebemos a realidade. Acreditamos que elas são nossas e nós, por extensão, somos delas. Julia sugere fazer diferente num debate, praticando a “humildade da incerteza”. Ou seja, aceitar a possibilidade de estarmos equivocados. E ela garante: é isso que nos faz tomar decisões melhores. Tente isso em casa!