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Foi mexer com canguru…

Fabio Mattos
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“Não precisamos de cangurus, precisamos de encanadores”. Eduardo Paes poderia ter dormido sem essa. Eu ouvi inúmeros comentários após a última declaração polêmica do prefeito do Rio (última até a publicação deste post!!!), que disse que estava quase colocando um canguru pulando na frente da delegação australiana. Um deles me chamou atenção: “comunicação é mesmo uma arte!”. Ledo engano. Comunicação é uma ciência, que deve ser aprendida e praticada diariamente.

 

Que falar em público é um dos maiores medos do homem, isso você já sabe. E falar com a imprensa é praticamente a mesma coisa. Mas você sabe qual é o medo? Temos medo de ser analisados, interpretados. Temos medo do julgamento. E o resultado da comunicação em público pode variar de maravilhoso a catastrófico. Tudo depende se estamos ou não preparados para enfrentar audiências e microfones. Antes que você questione, a resposta é sim! Qualquer um pode aprender a falar bem em público – e com a imprensa.

 

Mas é preciso planejamento e treino. Não existe fórmula mágica. Para isso existem os famosos Media Trainings, que preparam as pessoas para dar entrevistas. Assim como falar em público, o primeiro passo para falar com a imprensa é a preparação técnica. O que envolve, entre outros detalhes, a história a ser contada. No caso de uma entrevista, a história se traduz nas principais mensagens a serem ditas durante uma entrevista. Para isso, um documento muito comum de planejamento é o Q&A (Questions and Answers) – ou “perguntas e respostas”. Ele ajuda a preparar e alinhar o discurso sobre as principais mensagens que o entrevistado gostaria de transmitir durante uma entrevista. Por outro lado, ajuda também a simular as perguntas mais difíceis que podem ser feitas pelos jornalistas. E, a partir delas, definir as respostas.

 

Muitos profissionais, autoridades e celebridades, com a prática frequente da conversa com a imprensa, sentem-se mais aptos a enfrentar os repórteres e a improvisar as respostas. Essa segurança é ótima para a desenvoltura. Mas o grande equívoco é abandonar a lição de casa, o planejamento, como o simples Q&A. O medo diminui, dando muitas vezes lugar à displicência. É aí onde mora o perigo. Uma pergunta fora de contexto, que pega o entrevistado de surpresa, pode colocá-lo contra a parede. O medo ressurge. E, em vez de ele mostrar o melhor de si, mostra o seu pior.

 

De forma inconsciente, um animal acuado pode fazer qualquer coisa – neste caso, falar qualquer coisa. E, em vez de dar uma resposta coerente como “Erramos. Em 48 horas iremos reparar os apartamentos da delegação da Austrália e de todas as demais delegações”, Eduardo Paes criou uma bola de neve com “Estou quase botando um canguru para pular na frente deles”. Sim, quando acuados, não raciocinamos. O cérebro nos “trai”. Mas isso é assunto para um outro post.

 

Enfim, comunicação é uma ciência e não uma arte. Há inúmeros aspectos que precisamos aprender e praticar diariamente. Não existe improviso. O improviso é planejado. Ou você acha mesmo que aquele artista do Stand-up Comedy que você adora improvisa todas aquelas piadas? Dê uma busca no YouTube e se frustre. Planejamento e treino são algumas das regras básicas da comunicação. Caso contrário você corre o risco de provocar polêmicas ou risos, roubando o lugar do famoso artista do Stand-up. Pense nisso. Quem não se prepara para mexer com canguru pode entrar pelo cano.